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Catástrofe-Eucatástrofe de Tolkien na matemática

  • Foto do escritor: Marcelo Trindade
    Marcelo Trindade
  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

Prezados pais e professores, é uma honra tê-los aqui lendo estas linhas que começo a escrever, pois isso significa que estão empenhados para fornecer aos filhos e alunos um aprendizado belo, caridoso e verdadeiro! Com a essência BCV! Preste muita atenção no que vou detalhar nos próximos parágrafos, pois isto se aplica a quase tudo que se refere à aprendizagem. Cada detalhe aqui será importante para que você entenda o conjunto da obra. Vou te dar um exemplo prático para o caso da multiplicação, mas pode e deve estender o raciocínio para qualquer outro tópico.


Quando vamos ensinar para uma criança a multiplicação, por exemplo, devemos primeiramente estar convencidos de que ela domina a operação de soma. Isso se deve ao fato que a multiplicação nada mais é do que uma repetição de somas. Naturalmente, pois toda aprendizagem futura requer o conhecimento de algumas aprendizagens anteriores. Chamamos isso simplesmente de pré-requisitos. Saber somar é um pré-requisito para aprender a multiplicar, saber multiplicar é um pré-requisito para saber a potenciação e por aí vai. 3x5=15 pois 5+5+5=15.

 

É importantíssimo que, após a explicação do conceito da multiplicação nós orientemos a criança a escrever as somas abertas, como 5+5+5=15, mesmo que ela precise desenhar bolinhas ou palitinhos para contar e perceber que 3x5=15. Vamos evoluindo assim das contas menores às maiores. Quando estudamos com ela, por exemplo, quanto é 8x7 ela deve receber a explicação que isso é 7+7+7+7+7+7+7+7, e, novamente deve contar esses elementos até descobrir que a resposta é 56. Repetimos esse processo algumas tantas vezes até que a criança perceba a necessidade de decorar a tabuada de multiplicação, pois seria muito exaustivo fazer 5x124, por exemplo.

 

  Nesse momento você pode estar pensando quantas vezes será necessário repetir para uma criança esse método da exaustão até que ela perceba que a multiplicação é um soma e que é muito mais fácil se decorar as tabuadas... A resposta é simples: depende de cada criança e aí entra a sua sensibilidade, como mãe, em perceber esse momento. Geralmente esse momento é caracterizado pelo sentimento de contemplação da criança, onde ela deixa escapar um comentário empolgado do tipo: "Mamãe, então toda multiplicação é uma soma! Agora entendi! É muito mais fácil". É hora então de decorar as tabuadas de multiplicar!


O maravilhoso disso, é que essa efetiva forma de ensinar não serve somente para as crianças, mas para qualquer conteúdo que se queira ensinar e para qualquer idade. Vou dar outro exemplo: nos cursos de ciências exatas, como matemática, física e engenharias, existe o estudo de algo muito importante, que foi descoberto por Newton e Leibiniz, que é o conceito de derivada. Para ensinar isso aos alunos, devemos ter em mente que eles precisam primeiro dominar o assunto de funções, que por sua vez é um pré-requisito para entender as tais derivadas e depois, deixar que eles façam as contas exaustivamente da forma que sabem até chegar o momento de lhes apresentar uma fórmula especial que resolve aquilo de uma forma muito mais simples. Isso fará com que o aluno literalmente sofra primeiro para fixar o conceito e somente depois contemple que existe uma solução maravilhosa para o problema que tanto lhe custava.

 

Agora vou explicar porque é tão importante que isso seja feito assim. Primeiro plantamos, o que é árduo e penoso, para somente depois colhermos o fruto e saboreá-lo. Assim é a condição da nossa natureza. Primeiro vem o sofrimento para depois a premiação em todos os acontecimentos da nossa vida, porque tudo é um simulacro que aponta e nos prepara para a morte e ressurreição.

 

Tolkien bem cunhou os termos catástrofe e eucatástrofe para as belas histórias contadas, como na Branca de Neve que primeiro sofre toda a malvadeza da madrasta (catástrofe) para somente no final encontrar um príncipe encantado (eucatástrofe). Para que uma história seja realmente boa ela deve conter esses dois elementos que, ao final, estão apontando para a única história que realmente importa. A história da vinda de Deus!

 

Tolkien certa vez disse que a história dos evangelhos tem tudo o que o coração humano deseja porque tem sido contada por aquele que é a satisfação do próprio desejo. Sendo nós criaturas à Sua imagem e semelhança, tendemos a imitá-lo. Estou aqui fazendo uma extensão do duo proposto por Tolkien para o ensino. Nós, como mestres, devemos perceber que para bem ensinar precisamos ajudar o aprendiz a carregar a cruz das dificuldades, tendo paciência e somente ensinando por amor, voltando ao que para nós é fácil mas para o aprendiz, desconhecido, para que só depois renasça o conhecimento! Vivam corajosamente cada etapa! Avante!

 
 
 

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